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Como um cálculo criado há 600 anos pode te ajudar a ficar rico ou pelo menos poupar

Fonte: BBC News

Você pagaria mais de um milhão de dólares por um livro de matemática do Renascimento? Pois a cifra de US$ 1,2 milhão foi desembolsada pelo comprador – anônimo – que arrematou em um leilão da Christie’s realizada em junho em Nova York a obra Summa Arithmetica, do frade italiano Luca Pacioli.

Publicado em 1494, ele é considerado o primeiro manual de contabilidade da história. Seu método das partidas dobradas – em que cada lançamento é feito em duas contas, uma como débito e outra como crédito – é até hoje base da contabilidade.

Um trecho menos famoso do livro, entretanto, pode ser um aliado importante de quem planeja investir. Trata-se da Regra do Número 72, que mostra em quanto tempo o capital inicial, remunerado a uma taxa fixa, dobraria – ou em quanto tempo a riqueza de um país dobraria se crescesse a determinada taxa ou a inflação corroeria à metade o poder de compra do dinheiro.

O procedimento é simples: basta usar o 72 como dividendo e parâmetro que se quer avaliar como divisor.

Na prática

Parece improvável? Vamos então a um exemplo prático.

Um investimento remunerado a uma taxa fixa de 9% ao ano dobraria em 8 anos – já que 72/9 = 8.

Quem está preocupado com a inflação, por sua vez, pode usar a regra para mensurar a perda do poder de compra causado pelo aumento nos índices de preços.

Por exemplo: a inflação no Brasil chegou a 3,22% nos 12 meses até julho, conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE. Se arredondamos o número para 3 e usamos como divisor de 72, chegamos ao número 24 (72/3). Assim, em 24 anos o poder aquisitivo de R$ 1 seria reduzido à metade.

Economistas dizem hoje, entretanto, que 72 não é o número mais adequado. Muitos preferem o 70 ou o 69. A escolha do 72 por Pacioli, aliás, foi uma de suas muitas astúcias. Esse é um número que pode ser dividido por 2, 4, 6, 8 e 12 e, por isso, a maioria das operações aritméticas são mais fáceis de resolver com 72 do que com 69.

‘O último nome de Renascimento’

Luca Pacioli não apenas escreveu um dos livros seminais da Contabilidade, mas também recuperou textos matemáticos importantes que haviam sido esquecidos com o tempo. Arriscou-se ainda no campo da arte e da arquitetura, o que o levou a conhecer Leonardo da Vinci, com quem acabou desenvolvendo uma amizade.

Para Margaret Ford, da seção de Livros e Manuscritos da casa de leilões Christie’s, o frade foi “o último homem do Renascimento”. “Summa Arithmetica é um livro muito moderno (…). Pacioli deliberadamente decidiu escrever em língua vernácula em vez de latim e, assim, sua voz foi muito além do mundo escolástico.”

Fonte: BBC News | g1.globo.com
Postado por: Escola da Vida Contábil | www.escoladavidacontabil.com.br

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